sábado, 25 de março de 2023

A Mentira é Verdade

A mentira é verdade

Vernil Eliseu,  03 de abril de 2.010 - vernileliseu@gmail.com

O seu nascimento foi cercado de verdadeiras peripécias médicas, sem as quais ele não teria sobrevivido.

A sua mãe chorava diariamente e o amamentava embalada pelos soluços da desilusão.

Seu filho era feio.

No entanto, como só acontece com as mães, com o passar do tempo, começou a ver no seu rebento a beleza dos príncipes encantados.

Todos os dias ela repetia: Como é lindo o meu filho!

Passado algum tempo não só repetia – Como é lindo o meu filho! Como, de fato, acabou acreditando piamente que ele era muito bonito.

Cresceu o rebento e na sua adolescência, nos momentos de enfeitar-se para interagir com os amigos e amigas de sua idade, olhando no espelho, notava alguma coisa diferente.

Apesar disso acostumado com a sua figura, repartindo o cabelo, dizia para si, com grande ênfase: Como eu sou bonito!

Repetia sempre: Eu sou bonito!

Os seus amigos cansados de brincar com a sua feiúra, com a convivência passaram a não reparar mais na desagradável figura e, como só acontece na repetição, acostumaram-se com a presença dele.

A vida é coisa que poucos dos homens conseguem entender e sempre arranja um jeito de colocar frente a frente aqueles que precisam uns dos outros para que possam cumprir as suas missões.

Assim é que ele encontrou uma mulher feia que, como ele, repetia todo o dia para o espelho que ela era bonita.

Casaram-se e, para todos da sociedade formaram um casal muito feio.

Mas, no novo lar, ambos abraçados e diante do espelho repetiam a mais não poder: Como somos bonitos.

Repetiam isso todos os dias.

E foram felizes para sempre.

Moral da história:

A mentira quando repetida muitas e muitas vezes acaba se transformando numa verdade verdadeira, ou:

A beleza só é bonita naquele que ama verdadeiramente. 

domingo, 1 de janeiro de 2023

Então é Natal

Então é Natal!

Vernil Eliseu – 24/12/2008

vernileliseu.blogspot.com

Na reunião de meus anseios e esperanças encontrei bons motivos para não me alegrar.

No mundo a fome, ainda, é questão não resolvida e todas os dias nos bolsões de pobreza muitas crianças sofrem as suas consequências.

O capital, principalmente neste final de ano, mostra que sua selvageria desvirtua a distribuição das riquezas, recaindo sobre os mais fracos, os trabalhadores, o peso dos seus desvarios.

Entretanto, são problemas identificados e mesmo com a desatenção do estado e das elites, aos poucos, embora dolorosamente, vão sendo enfrentados.

Em contrapartida, nos meus anseios e esperanças, encontrei muitos bons motivos para me alegrar.

Vivo em paz com minha mulher, os nossos filhos, dignamente, trabalham e se sustentam e ganhamos, neste ano, um dos motivos mais expressivos para a nossa alegria, uma netinha, a Beatriz.

Costumam dizer que os avôs são pais mais dedicados.

É verdade.

Quem, depois dos sessenta, gastaria suas energias em danças dignas de bailarinos famosos, para divertir a criança, senão seus avôs?

Quem descobriria no choro manhoso de pedir para mamar um momento de alegria, o da formação da personalidade da neta, senão os avôs?

Quem descobriria nos gritinhos agudos da netinha, fortes indícios de expressão, senão os avôs?

É claro que estar vivo é um bom motivo para alegria. Mas de que valeria estar vivo se fossemos privados de descobrir no rosto de nossa netinha o sorriso tão puro de que ela é capaz?

Estes são bons motivos para me alegrar.

Saindo do meio familiar, nas ruas enfeitadas e reluzentes, o grande desfile das crianças. Olhos brilhantes, inquietos.

Quantas esperanças para serem somadas às esperanças da humanidade, com força insuspeita do poder fazer acontecer, pois nas esperanças puras das crianças é que o mundo e todo o universo hão de progredir.

Por isso, a minha roupa toda vermelha já está limpa e passada, para que logo mais à noite, quando a estrela Dalva estiver no seu momento mais brilhante no Céu, eu possa ajudar instalar nos rostos daqueles que são de fato os donos do mundo, as crianças, a alegria precisa que nasce com a celebração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 

   

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

A Campa fria

A Campa “fria”

Vernil Eliseu – novembro/2011

vernileliseu.blogspot.com

 

A Campa fria, varrida pelo vento e úmida do orvalho que caíra à noite, parecia àquela hora da manhã, o horizonte distante e inatingível.

O meu coração, no entanto, qual magneto de dimensão incrivelmente expressiva, conseguia captar, entre uma batida e outra, o calor que emanava das energias espirituais ali concentradas.

Na busca no interior de minhas lembranças, se materializavam as figuras dos meus entes queridos. Meus tios, meus Avós, Sobrinhos, Irmão, Cunhado, Sogros e meus queridos Pais, juntos, felizes e sorridentes, davam-me as boas vindas.

A luz que se sobrepunha à luz soberana do Sol era um misto de raios mostrando cores que neste mundo não se conhece e chuvas parecendo lágrimas límpidas, fazendo que assistíssemos a um espetáculo jamais visto.

Fechei os olhos e continuei vendo a cena espetacular.

Comecei a orar.

As lágrimas escorriam-me pela face e as palavras que pareciam difíceis, como um exército de imensurável poder, saíram tranquilas e determinadas.

Pai abençoa a todos nós, encarnados e desencarnados, una os nossos corações para que sejamos um só nesta comemoração da visita que nos é permitida. Lembre a todos nós a Boa Nova de Jesus anunciando a morte da morte e exaltando a esperança do novo encontro a que estamos destinados, numa Sua casa de Luz.

Mas, como as conquistas ainda estão por ser conquistadas, direciona a todos nós, espíritos ainda ignorantes, a Misericórdia prometida por Jesus, com a finalidade de nos fortalecer nas lutas que ainda virão.

Nos encarnados implanta a vontade de viver para conquistar o estado de bem, na certeza da vida eterna e aos desencarnados permita um projeto de reencarnação que lhes possibilite alcançar a justiça.

Que neste dia de finados, não só os que estão neste quadro, mas todos, nos dois lados da vida alcancem a benção das preces que lhes são endereçadas.

Permita-me receber a benção das preces de todos os meus, assim como, de todo o coração lhes dou a minha benção das minhas preces.

As minhas lágrimas não são derramadas pela ausência deles, mas são derramadas por causa da alegria e da esperança que este encontro coloca em nossos corações e que se transformam na certeza da vida eterna, festejando desde agora, o nosso reencontro em um mundo divinal.

Que o nosso Pai Eterno esteja sempre conosco.