sábado, 8 de abril de 2023

Cuidemos dos Jardins

Cuidemos dos Jardins

 

Vernil Eliseu – 06/07/2006

 

vernilelisu@gmail.com

 

 

Quantos de nós, como loucos, saímos pela vida afora, como se fossemos verdadeiros cruzados, em busca do Santo Graal, brandindo espadas inexistentes, ferindo adversários invisíveis.

 

Acabamos chegando a lugar nenhum, cansados, de olhos esbugalhados, surpresos, pela iniqüidade de todo nosso esforço.

 

Na verdade, o que nos moveram, para esta aventura, foram os nossos anseios.

 

Buscamos o sucesso como se o sucesso fosse o único objetivo de nossas vidas.

 

Não sabemos, em virtude da inexperiência que ainda portamos que, o sucesso é uma utopia que haveremos de conquistar, quando atingirmos a perfeição.

 

Por certo, histórias de vencedores nos impressionaram e nos inspiraram.

 

Só não nos alertamos para o fato de que as vitórias são apenas alguns centímetros que temos que percorrer, sendo duramente testados em direção ao sucesso.

 

Por isso, havemos de nos prevenir para estes esforços que não nos levam a lugar nenhum.

 

Precisamos é vencer as pequenas distâncias que a convivência social nos impõe. E isso é necessário, pois que, sozinhos não poderemos construir nada do que ansiamos em nossas vidas.

 

A pressa de percorrer grandes distâncias em atitudes que qualificam a nossa personalidade e servem para delinear a envergadura dos nossos espíritos, não nos permitem olhar para os lados e tratar com o carinho que merecem os nossos companheiros de tempo.

 

Quais seriam os ensinamentos que poderíamos usar para que isso possa ser uma realidade?

 

O valor dos nossos pais, o calor de nossos amigos, o carinho de nossa esposa, a alegria de nossos filhos, a beleza de nossa cidade, as maravilhas da natureza que dão cores ao mundo, tudo isso, mas tudo mesmo faz parte do tempero que transforma as nossas vidas em viagem segura para o sucesso.

 

De cavaleiros da Távola Redonda do grande Rei Arthur, que aprendemos a admirar, precisamos, todos nós, nos transfigurarmos em poetas.

 

Os poetas, de todas as qualidades que possuem, a meu ver, também, têm a facilidade de, com lindas palavras, nos fazer convites para enfrentar os duros embates da vida.

 

É uma maneira, de povoar as nossas cabeças com melhores pensamentos, que no mínimo, fazem os nossos pensamentos menos egoístas.

 

Portanto fiquem com a beleza da construção de Mário Quintana:

 

“O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

 

 

  

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Desigualdade Cruel

Desigualdade cruel

 

Vernil Eliseu – 11 /04/2007

vernileliseu@gmail.com

 

Coelhinho da Páscoa o que é que você me traz?

 

Venho trazer-lhe um ovinho para você saborear!

 

Esta é a música que todas as crianças do mundo deveriam cantar.

 

Mas não é assim.

 

Na verdade, mães e pais, a grande maioria de mães e pais deste mundo, sequer conseguiu acumular uma sabedoria que lhe permitisse, no mínimo, pintar um ovo de galinha ou até mesmo de pata, para fazer a alegria de seus filhos, plantando esses ovos nos ninhos que eles seriam convidados a montar.

 

Não se pode, no entanto, pleitear que este tipo de comemoração não aconteça. Isto seria o mesmo que enfiar a cabeça na areia e esconder-se da responsabilidade que cabe a cada um.

 

Ao invés disso, todos os pais e mães do mundo, deveriam se unir e exigir que as oportunidades do mundo sejam oferecidas mais equilibradamente entre todos.

 

Não se pode querer uma humanidade de ricos, as diferenças, ainda, por muito tempo haverão de existir.

 

É até uma necessidade para estimular o progresso do homem como um todo.

 

O equilíbrio, por isso, passa a ser visto como um objetivo incondicional, do qual o homem não pode fugir.

 

Na contramão da história, no entanto, atrasando o caminhar da humanidade em direção ao equilíbrio, vem a discussão, que toma conta de Brasília, com parlamentares, discutindo, num momento inoportuno, um aumento salarial.

 

Como pode um deputado, por exemplo, custar ao País perto de R$ 100.000,00 (Cem mil reais), quando o salário mínimo, com o qual tem que viver uma quantidade de brasileiros é de apenas R$ 350,00..

 

Assim uma quantidade importante do povo quando comem, não pagam a luz e água.

 

Quando pagam a luz e água, deixam de comer.

 

Mas comer como gente. Arroz, feijão, batata e carne e não farinha dissolvida n’água.

 

O pior é que não raro lá se vão para o fórum, pais de famílias que mal puderam fazer inchar as barrigas de seus filhos com alimentos inadequados, sofrendo o vexame de terem os seus nomes executados por falta de pagamento destes itens básicos para se viver nos nossos dias.

 

Por isso, depois de comemorada a Páscoa e a Ressurreição do Cristo, sugerimos uma reflexão sobre este pequeno escrito, pretensioso, no sentido de chamar a atenção para a desigualdade que promovemos comendo os nossos ovos de Páscoa por inteiro ao invés de dividi-lo com os nossos irmãos que não podem comprá-lo.

 

De repente, um pequeno esforço de cada um, pode fazer uma grande diferença.

 

Faça o seu.   

sábado, 1 de abril de 2023

A trobeta da realidade

A trombeta da realidade

Vernil Eliseu – 01/02/2007

vernileliseu@gmail.com

 

 

Com muita assiduidade temos conhecido muitos brasileiros que deram o melhor de seus verdes anos na construção do Brasil que aí está.

 

São homens e mulheres que no ascendente de suas forças físicas carregaram nos ombros os destinos desta grande nação.

 

Muitos analistas que buscam a perfeição dirão:

 

Mas este país não é um bom país.

 

Concordamos com eles, porém, melhor que eles que dão os débitos, não deixamos de dar, também, os créditos àqueles de direito.

 

Por isso, desde logo seria de bom gosto que dissessem que este não é um bom país, porque não souberam administrá-lo, com a dinâmica que se precisa para construir um bom país. Por isso, desde logo seria de bom gosto que dissessem que este não é um bom país, porque não souberam administrá-lo, com a dinâmica que se precisa para construir um bom país.

 

Não me venham com o discurso de que a Previdência é deficitária, pois não é. Acontece que em 1988, o Congresso Nacional, criou vários benefícios às pessoas que não contribuem para a Previdência Social e isso deve ser debitado ao Tesouro Nacional.

 

Ora, claro que concordamos com a necessidade da criação destes benefícios. Eles foram criados para socorrer um faixa da população brasileira que por diversas razões estavam excluídas da possibilidade de terem uma vida digna.

 

Mas até este meio de semana, apesar dos alertas de especialistas a Previdência Social era a grande vilã da história, pois tendo que pagar quem para ela não contribuiu, viu-se em déficit.

 

A verdade, entretanto, foi colocada no seu devido lugar. A Previdência é uma despesa do governo brasileiro que tem a sua contrapartida na arrecadação que se faz para o pagamento dela, sem déficit.

 

Com isso os “economistazinhos” de plantão, graças a Deus exceções, têm que procurar noutro escaninho a culpa da falta de possibilidade de investimento que o governo brasileiro enfrenta não mais podendo colocar a culpa nos que deram suor e sangue, para que eles próprios tivessem um país onde pudessem faturar o seu ganha pão.

 

Um deles, comentarista de uma das grandes redes de televisão do país, saiu se com esta:

 

De nada adiantou o presidente dizer o que disse, pois o déficit vai continuar do mesmo tamanho.

 

Não foi sequer sensível ao ver ser tirada a pecha dos aposentados.

 

Nem tecnicamente quis dizer que agora a outra parte retirada das despesas da Previdência Social tem que ser analisada e, para ela, criada uma fonte de arrecadação para fazer face a esta despesa que, repetimos, não é dos aposentados, pois eles próprios pagaram para receber o que recebem.

 

A nossa fala soa como um desabafo?

 

Sim a nossa fala soa como um desabafo, mas, também soa coma a trombeta da realidade, que muitos, neste país, que não é bom ainda, tentam dissimular para poderem tirar mais proveitos sem merecê-los.

  

A trombeta da realidade

 

sábado, 25 de março de 2023

A Mentira é Verdade

A mentira é verdade

Vernil Eliseu,  03 de abril de 2.010 - vernileliseu@gmail.com

O seu nascimento foi cercado de verdadeiras peripécias médicas, sem as quais ele não teria sobrevivido.

A sua mãe chorava diariamente e o amamentava embalada pelos soluços da desilusão.

Seu filho era feio.

No entanto, como só acontece com as mães, com o passar do tempo, começou a ver no seu rebento a beleza dos príncipes encantados.

Todos os dias ela repetia: Como é lindo o meu filho!

Passado algum tempo não só repetia – Como é lindo o meu filho! Como, de fato, acabou acreditando piamente que ele era muito bonito.

Cresceu o rebento e na sua adolescência, nos momentos de enfeitar-se para interagir com os amigos e amigas de sua idade, olhando no espelho, notava alguma coisa diferente.

Apesar disso acostumado com a sua figura, repartindo o cabelo, dizia para si, com grande ênfase: Como eu sou bonito!

Repetia sempre: Eu sou bonito!

Os seus amigos cansados de brincar com a sua feiúra, com a convivência passaram a não reparar mais na desagradável figura e, como só acontece na repetição, acostumaram-se com a presença dele.

A vida é coisa que poucos dos homens conseguem entender e sempre arranja um jeito de colocar frente a frente aqueles que precisam uns dos outros para que possam cumprir as suas missões.

Assim é que ele encontrou uma mulher feia que, como ele, repetia todo o dia para o espelho que ela era bonita.

Casaram-se e, para todos da sociedade formaram um casal muito feio.

Mas, no novo lar, ambos abraçados e diante do espelho repetiam a mais não poder: Como somos bonitos.

Repetiam isso todos os dias.

E foram felizes para sempre.

Moral da história:

A mentira quando repetida muitas e muitas vezes acaba se transformando numa verdade verdadeira, ou:

A beleza só é bonita naquele que ama verdadeiramente.