quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Quem tem medo da outra vida


Quem tem medo da outra vida?

 

Vernil Eliseu – 17/03/2011

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São tantos os infortúnios nos dias de hoje que cabe a pergunta.

No passado as guerras cuidavam de manter a ida dos Espíritos para o mundo espiritual, numa constância expressiva.

A quantidade de guerras diminuiu, no entanto, as poucas que espocam aqui e ali, a fome pelo continente africano, os terremotos, os tsunamis e as mortes naturais, continuam mandando para o outro lado número expressivo de seres humanos.

Segundo notícias do mundo espiritual, através da mediunidade, informam que o planeta Terra está num momento de intensas mudanças, se preparando para entrar definitivamente no rol dos Mundos de Regeneração e, para tanto, precisa melhorar o nível de moralidade dos seres que encarnam por aqui.

É preciso saber que estes espíritos, que daqui para frente, vão encarnar no planeta Terra, são espíritos que aqui já viveram encarnados, obedecendo a Lei do Progresso, como resultado do aprendizado e das expiações, que funcionam como cadinho para tornar mais puros os Espíritos.

Nesse sentido podemos responder à pergunta: Quem tem medo da outra vida?

Os Espíritos que estão encarnados e continuam viver ouvindo, a todo o momento, as recriminações pelos seus atos descambados para o lado do mal, por certo, têm medo da outra vida, pois quando chegarem ao outro lado, após a sua desencarnação, encontrarão duas probabilidades:

1ª – Reencarnarem, não mais na Terra, mas num planeta de nível inferior, onde terá a missão de viver no meio de seres com moralidade abaixo da sua própria moralidade. Por isso, já saberão o esforço que deverão despender para enfrentar a barra pesada num mundo, que por certo estará saindo do nível Primitivo para um mundo de Expiações e Provas, mais ou menos no nível do Planeta Terra de 4.000 anos atrás ou mais, numa reencarnação incondicional;

2ª- Reencarnarem, mais uma vez no Planeta Terra, para uma última oportunidade de conquistar o direito de acompanharem o Planeta na sua evolução natural, mas pagando o preço alto exigido, tanto de aprendizado como de Expiação, numa reencarnação condicional.

É certo, também, que muitos daqueles que já conquistaram o direito de acompanharem o Planeta Terra na sua Evolução, estão renascendo e poderão ser identificados pela qualidade mental e de conhecimentos natos, surpreendendo todos nós pelas suas atitudes direcionadas pela nova ordem moral que deverá prevalecer no nosso planeta, sempre premiando o bem.

Estes, por certo, não têm medo da outra vida.      

sábado, 6 de novembro de 2021

É preciso coninuar

Dia das mães de 2021

vernileliseu@gmail.com

 

É preciso continuar

No dia das mães deste ano de 2021.

Ano de tristes momentos para os homens.

Eis me lembrando de mamãe e da mulher amada:

Num facho de luz as imagens das duas apareceram sorrindo lindamente e apontando seus corações emitindo verdadeiras chispas e arrebatando carinhosamente a minha atenção.

Não podia ser diferente, pois ambas conhecem o poder do amor.

As lágrimas então, verteram copiosas e quentes, abençoando o momento fugaz.

Fugaz, mas mostrando, que mesmo lá em algum recanto do mundo espiritual, ambas, continuam direcionando o nosso viver, meu, de meus filhos e de meus irmãos, e de todos os da família.

 Torcendo para que nos caminhos da vida, encontremos a razão para sermos os que amam.

As duas eternamente, sabemos, continuarão sendo os nossos anjos da guarda.

Por isso, neste momento que estou me lembrando delas, a minha fé e a minha esperança no futuro melhor se avivam e dou graças a DEUS.




 

É preciso continuar

 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Cara a cara com Deus







Vernil Eliseu – 12/05/200

A meninada gostava de nadar.

Naquele tempo, décadas de 40 e 50, os ribeirões que ladeavam a cidade, ainda, não eram poluídos.

Nas suas margens se via, ainda, lembranças da mata nativa, que aos poucos foi engolida pelo progresso.

Os poços (lugar onde o ribeirão se alargava) se prestavam à natação da meninada.

Nus, pois as margens dos ribeirões ficavam fora da vista da cidade, bandos de meninos refrescavam-se e deixavam a imaginação de crianças inventar as mais variadas brincadeiras.

Os maiores “judiavam” dos menores.

Quando se dava o último mergulho para limpar-se e voltar às suas casas, lá vinham os maiores com as mãos cheias de barro das margens e lambuzavam o garoto para não os deixar ir embora.

Às vezes, somente com o anoitecer é que se conseguia burlar a vigilância e sair correndo com as calças nas mãos para voltar para casa.

Quantas surras a meninada não levou por isso.

Com o tempo as chácaras foram sendo loteadas e as casas ficaram cada vez mais próximas do ribeirão, e muitas mães mais afoitas, arriscavam ir buscar o filho lá nas margens do ribeirão, voltando com os desobedientes puxados pela orelha.

Aos poucos, infelizmente, o santuário da meninada foi se transformando em cidade e o sonho acabou.

A história a seguir se passou quando entre a cidade e as margens dos ribeirões existiam as chácaras.

Nas caminhadas em direção ao rio, muitas vezes parávamos à sombra de frondosa árvore e nos sentávamos para jogar baralho ou, simplesmente, para conversar.

Os assuntos eram variados. Desde os papagaios (pipas) até os jogos de botões.

Muitas vezes deitados de barriga para cima, olhando em direção onde o sol nasce, a meninada ficava horas e horas contemplando o céu e as nuvens.

Os desenhos que as nuvens faziam para apreciarmos eram em grande quantidade. Leões, cobras, cabras, vacas, homens, mulheres.

Num desses dias, após uma hora de observação, um garoto dos menores, levantou-se e disse:

— Vou indo prá casa que aí vem chuva!

Imediatamente todos se levantaram e foram embora. Apenas eu fiquei.

Os desenhos nas nuvens estavam se formando rapidamente e, devido à velocidade das nuvens, iam se sucedendo encantando os meus olhos.

Absorto na admiração aos desenhos das nuvens não vi as nuvens negras rodopiando que vinham chegando, trazendo chuva.

O primeiro aviso foi um raio, que com estrondo descomunal, cortou a copa de uma árvore há uns duzentos metros lá na chácara da dona Mariquinha.

Sentei-me assustado e ao mesmo tempo a chuva desabou impiedosamente. Com duas pedradas na cabeça e meio atordoado corri para debaixo da árvore, junto ao tronco e ali passei o mais sério apuro de minha vida.

Os relâmpagos cortavam o céu escuro e os estrondos pareciam que estavam acontecendo dentro de minha cabeça.

A chuva de pedras fazia um barulho enorme e as folhas da árvore, embaixo da qual eu estava, pareciam que estavam recebendo um bombardeio e caiam esfaceladas no chão.

As pedras não me alcançavam ali junto ao tronco da árvore e eu arrisquei dar uma olhada para cima.

As nuvens negras e espessas estavam sendo sacudidas de um lado para o outro pelo vento incrivelmente forte e as faíscas pareciam sair daquele caos.

Senti-me infinitamente menor do que já era e sem saber o que fazer chorei o choro dos medrosos.

Parecia que Deus aproveitava-se da ocasião para cobrar-me por todos os meus pecados.

Chorando alto, com o coração aos pulos, lembrei-me das aulas de catecismo e agarrei-me à oração. O Pai Nosso saiu entre soluços e gritos, mas do fundo do coração.

Aí se deu o milagre.

Bem, pelo menos eu acho que foi um milagre.

As nuvens negras que não paravam de rodopiar formaram um rosto sereno e eu juro que ouvi sair dela uma voz firme e doce que disse:

— Não chores. Vá para a casa e peça desculpas à sua mãe.

O vento foi parando. As nuvens tomaram um tom mais acinzentado e parando de rodopiar começaram a caminhar, rapidamente, formando novos desenhos. Desenhos de anjos que mudavam para desenhos de harpas, outros cachorrinhos brincando, até que a chuva parou.

Saí como uma flecha e cheguei em casa em tempo recorde. Entrei ofegante e parei na porta da sala para cozinha e falei em voz alta e nunca usada.

— Mãe me desculpa tá.

Minha mãe, que passava um café cheiroso para a gente tomar, comendo um virado de bananas com farinha de milho, que já estava fatiado sobre a mesa, olhou-me espantada, sem entender o que estava acontecendo, falou:

— Me deixa ver se você está com febre!

 

 

 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

O Banquete dos Deuses



29/08/2021

vernileliseu@gmail.com

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A dona Escalina, uma senhora negra, alta, bonita, esposa do seu Zé Fumaça, comandava a garotada da rua 13 de maio.

Os iças, parecia, que nasciam do chão e com voos inseguros povoavam os ares da rua.

A garotada (naquele tempo molecada) arrancavam as camisas e começavam a caçada aos iças.

Dona Escalina, sem pressa, ia recebendo o produto das caçadas de cada um dos garotos, cujos olhos brilhavam, pensando no banquete de logo mais.

Para muitos dos garotos aquele banquete que se anunciava era, nada mais nada menos, que a mistura que comeriam naquela tarde.

O número de garotos era de mais de 10, com suas camisas espanando o ar e derrubando os iças, gordinhos e de sabor gostoso.

Da empreitada participavam, também, a Amélia e a Zezé, filhas adotivas de dona Escalina, cujo nome verdadeiro não tenho a certeza se era este.

A caçada era incansável e o produto de tantas “camisadas”, quase sempre enchia uma bacia, tão usadas naquela época (fim da década de 40 e início da década de 50).

A dona Escalina e suas filhas, começavam a preparação para aprontar os iças.

A parte usada era o bum-bum dos iças, gordinhos e de recheio abundante.

As vezes o Iça ia pra chapa quente inteiro.

Na verdade, os garotos sentavam se ao redor da bacia e começavam a degustação prolongada dos iças torradinhos.

Se inteiro separavam o bum bum do resto.

Era uma verdadeira festa, cujo costume, desapareceu na poeira do tempo.

Hoje dificilmente se vê um iça voando no ar da cidade e, por isso, os garotos de hoje, infelizmente não vão conhecer o banquete igual ao que a Dona Escalina proporcionava para todos os garotos da rua e adjacências.

Dona Escalina impunha respeito com a sua altura sem, entretanto, erguer a voz para chamar a atenção dos garotos.

Um tempo de coisas bonitas, mesmo que estranhas para os dias de hoje mas, de grande congraçamento dos vizinhos da rua 13 de Maio.   


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Orar é Preciso


Orar é preciso

Vernil Eliseu – março de 2.012      

vernileliseu@gmail.com

Olhando pela minha janela, naquela manhã de Sol, chamou-me a atenção uma Rosa Vermelha do meu pequeno jardim.

Acostumado com os solavancos impostos pelas coisas da vida, que obriga todos os seres humanos a se desdobrarem em atitudes, mesmo assim, em absoluto deleite, comecei a admirar a linda Rosa Vermelha.

Apesar do calor, que já se mostrava abrasador àquela hora da manhã, pude começar a apreciar o quadro que se desenhava diante de mim, pelas gotas de orvalho que se equilibravam na Rosa Vermelha, quais verdadeiras malabaristas abrilhantando um maravilhoso espetáculo.

O cintilar do vermelho das Rosas Vermelhas e do brilhante das gotas de orvalho construíam no ambiente onde estavam todas as possibilidades da beleza universal.

Foi um raro momento.

Não sei se em voz baixa ou mesmo em pensamento, comecei a agradecer a Deus pela beleza que nos destinou.



“Obrigado meu Deus pelas cores desta manhã, pelos cantos dos passarinhos, pelo roçar das folhas, que nas suas danças patrocinadas pela força do vento, é a música da natureza a complementar o quadro maravilhoso desta manhã; que o meu coração de homem do mundo, abençoe esta oportunidade de perceber esta maravilha da sua natureza e que os corações de todos os homens sejam tocados pelas suas mãos para que eles, também, tenham a sensibilidade de perceberem a maravilha da sua grande obra.”

Foi uma oração simples, igual às que todos temos oportunidade de fazer, pelo simples fato de que em todas as manhãs acordamos olhando as maravilhas do nosso Criador.

Sei que, infelizmente, não acontece simples assim, pois muitos dos seres humanos, apesar de olharem, por causa da dureza de seus corações, não conseguem ver o grande presente que Deus nos deu a todos.

Orar é preciso e, por isso, aprender a orar é preciso.

Assim, tudo que temos à nossa volta, nossos irmãos, a natureza, os animais e todos os nossos problemas, têm que ser vistos com olhos de ver e com o coração de agradecer, pois tudo, absolutamente tudo, faz parte do tempero que promove o nosso progresso espiritual, e apesar de qualquer rumo que tudo isso tome, nos lembremos de fazermos a nossa oração.